
Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, costuma-se apenas abrir um saquinho e apertar um botão que 3 ou 4 minutos depois temos um monte de pipoca. Entretanto, antigamente, quando o Lula ainda era defensor do povo e o chacrinha fazia sucesso, para se fazer pipoca era necessário colocar o milho e o óleo em uma panela, tampar, levar ao fogo, ficar atento para que não queimasse e só depois de tudo isso é que se podia comer.
Embora seja mais trabalhoso, prefiro ainda a versão mais antiga. Fica mais saboroso e o sabor pode ser escolhido na hora e não na hora que se vai comprar (também, talvez, porque meu microondas é pequeno demais e o pacote não cabe nele direito). Aonde quero chegar? Vocês ainda se perguntam? Pois eu explico, realmente esse lugar não para falar das minhas dificuldades.. então, quando se usa a maneira mais ancestral, sobram mais milhos sem rebentar e a estes chamam “piruás”
Ainda não entendeu? É o seguinte: Não consigo me decidir se é bom, ou não, ser um piruá. Sei que parece estranho, mas refletindo, vi que isso pode significar duas coisas:
A primeira é ser um fracassado, um milho que não atingiu seu objetivo. Alguém deslocado que pertence a uma minoria, perdido entre todos que fizeram a sua parte. Que teve as mesmas oportunidades e não alcançou nada. Que esteve no calor da batalha e se absteve de tentar, um medroso. A segunda, porém, representa um vencedor. Uma pessoa que agüentou a pressão interna e se fez forte, que não explodiu. A mesma minoria, mas que difere por não se deixar levar pelos outros. Destaca-se por ter vencido os desafios sem perder o controle, conseguiu ser individual, ser ele próprio. Que passou e venceu a prova de fogo. Ou ainda, seria possível ser uma pipoca, deliciosa, mas sem graça, sem brilho, sem destaque, enfim sem personalidade... Piruá, ser ou não ser? Eis a questão.